No último final de semana aconteceu mais uma edição do evento de vale-tudo Strikeforce, nos Estados Unidos, que contou com as derrotas dos brasileiros André Galvão e Gesias Cavalcante.
Até aí tudo bem, mas quem assistiu com atenção reparou que do lado de fora do octógono havia um sujeito enorme, com pinta de lutador, entre os organizadores do evento.
O grandão em questão se chama Dave Bautista, é ídolo nos EUA, ex-campeão mundial de telecatch e está prestes a assinar com a organização. Para quem acha um absurdo que um atleta de “lutas de mentira” compita em igualdade com os melhores do esporte.
Entenda o caso:
Que o MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas) é o esporte que mais cresce no mundo, quase todos já sabem. Prova disso é a intensa migração de atletas das mais variadas artes marciais para o esporte.
A relação é simples e direta: à medida que o vale-tudo se torna mais rentável do que os outros esportes de luta, o interesse pela modalidade aumenta. Do jiu-jitsu, os melhores sempre se destacaram e partiram para o MMA. Murilo Bustamante, Minotauro, Fabrício Werdum, Jacaré e Roger Gracie comprovam a tese.
O wrestling (ou luta greco-romana) já emprestou alguns atletas olímpicos como Randy Couture, Dan Henderson e Matt Lindland, que conquistaram títulos nos ringues e octógonos dos EUA.
Mas, ao que tudo indica, uma nova “arte marcial” parece formar futuros campeões. Trata-se do pro-wrestling (ou telecatch), aquelas lutas de marmelada que foram febre no Brasil na década de 1960 e que ainda arrastam multidões aos estádios dos EUA.
Mas, como dito anteriormente, os valores das bolsas do MMA chamam a atenção. O japonês Kazushi Sakuraba foi o primeiro a trocar as lutas de mentira por combates reais com sucesso e, na última década, venceu quatro representantes da família Gracie.
Entre os americanos, Brock Lesnar é o grande destaque. Dono de uma força descomunal, o gigante de mais de 140 kg de músculo é o atual campeão dos pesados do UFC – maior evento de vale-tudo do mundo -, tendo feito apenas seis combates.
Citado no início da matéria, Dave Bautista é a nova aposta de sucesso para esta transição. Multicampeão da modalidade, ele consegue ser ainda mais alto e pesado do que Brock.
A vantagem de Brock, e dos demais atletas de telecatch, é que essa mistura de encenação teatral, combate e práticas circenses proporciona um condicionamento físico acima da média, tanto que lutadores muito fortes e grandes como Brock desenvolvem agilidade e velocidade de um atleta meio-pesado (93 kg). Só resta uma indagação ao ver os resultados: estamos vendo uma revolução no esporte?
